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COISINHAS DE DUQUE BACELAR

História

14/09/2020 13h11 Atualizada há 2 semanas
Por: Lázaro Albuquerque
COISINHAS DE DUQUE BACELAR

O GALÃ GUANABARA

Jovem ainda, do povo Bomfim, em Coelho Neto, Raimundo Resende Bastos foi direto para o Rio de Janeiro, morar com um parente, irmão de Luizinho Bastos, até o irmão Antônio Rende Bastos se estabelecer num grande comércio em Duque Bacelar, e trazê-lo de volta do Rio de Janeiro para gerenciar sua loja de tecido.
Na época, a cidade do Rio de Janeiro – e somente a cidade do Rio de Janeiro – era o Estado da Guanabara, cuja capital era a própria cidade do Rio de Janeiro. E foi de lá, do Estado da Guanabara, que Raimundo Resende Bastos trouxe na mala uma luxuosa camisa de malha, na cor branca, com o nome “GUANABARA” na frente, em letras garrafais, com grande destaque.
Não trouxe o “chiado” do falar carioca. Somente a ginga de galã carioca acompanhou Raimundinho na volta ao Maranhão e, com muita especialidade, a Duque Bacelar, para deixar morrendo de alegria as moças namoradeiras de nossa cidade. E as visitantes, também.
Logo, o Raimundinho tirou da mala a bela camisa de malha com o nome GUANABARA, para entonar-se nela e desfilar pelas ruas de Duque Bacelar, com sua elegância de galã, despertando o olhar curioso e interesseiro das pretendentes ao seu coração.
O uso continuado da camisa com a logomarca GUANABARA fez do jovem Raimundinho Bastos, recém-chegado do Rio de Janeiro, o famoso Guanabara de Duque Bacelar. E caía chuva de moças namoradeiras sobre o já Guanabara para uns, pela camisa, e, ainda, o carinhosamente chamado, Raimundinho para outros, apesar do tamanho do homem.
Trabalhando no comércio do irmão Antônio Bastos, Guanabara era uma atração à parte para a freguesia feminina: de jovens moças, principalmente. E eu observava isso de perto, ao lado do Guanabara, pois minha mãe conseguiu com a comadre dela e minha madrinha Conceição Matos, esposa de Antônio Bastos, uma vaga para eu trabalhar no comércio do marido, onde trabalhava o Guanabara.
Na época, eu, dos meus 14 para os 15 anos – um pouco ou bem mais jovem do que o Guanabara –, não me via, nem de longe, um concorrente para o assédio das moças ao colega de trabalho. Eu só observava. E confesso, sem medo do 5º pecado capital, que tinha muita inveja do colega Guanabara.
Fora do comércio, o galã Raimundinho Guanabara via-se mais ainda admirado pelas moças e objeto do desejo delas, pela sua charmosa beleza de galã.
O Guanabara chegou em Duque Bacelar com o sangue da Jovem Guarda do Rio de Janeiro pulsando nas veias. Era o auge do gostoso movimento musical. E o Rio de Janeiro e São Paulo eram as fontes geradoras do movimento. Em Duque, o movimento se fazia presente por meio da juventude animada da cidade.
Festas e mais festas eram programadas para dar vida ao movimento Jovem Guarda em Duque Bacelar. Para isso, não faltavam atrações musicais para animação das festas: conjuntos, cantadores e cantoras. E o Raimundinho Guanabara cantados pelas cantoras.
Lembro-me de um cantor de Teresina, chamado Paulo Roberto, que se apresentou em Duque Bacelar, acompanhado de uma cantora linda, jovem e morena, de família de ciganos, que moravam em Miguel Alves. Depois da apresentação do cantor, foi a vez da linda cantora. Como primeira música, ela cantou “Amapola”, uma música de Roberto Carlos, que estava em altíssimo sucesso Brasil afora.
Para mim, só a interpretação da música de Roberto Carlos pela cantora, valeu-me como um presente, mais do que o show completo. Mas o Guanabara ganhou um presente melhor: a própria cantora. Saíram do show nos braços um do outro, cantado que foi pela linda cantora.
Assim era o Guanabara, até que, do nada ou de tudo, sem ser cantora, muito menos uma cantadora de galã, caiu nos braços do galã Guanabara uma jovem bacelarense, de bons modos, para tirá-lo da solteirice de galã e da cobiça das moças namoradeiras. Essa jovem tornou-se a eterna musa do Guanabara, como esposa, com quem casou-se. E neste mês completaram 49 anos de casados: Lúcia Viana.
Casado com Lúcia, Guanabara e ela vieram a ser meus compadres, em nome de minha amizade com ele, que começou lá na juventude, quando trabalhamos juntos, no comércio do irmão dele, em Duque Bacelar. Hoje, Guanabara e Lúcia são padrinhos de minha filha mais velha, Lílian Régia.
Meus parabéns, meus compadres Guanabara e Lúcia, pelos seus 49 anos de casados: beirando a meio século de amor, compreensão e muita felicidade.
Escrever sobre o Guanabara em todos os aspectos, eu teria que escrever um livro com grandes coisas de sua vida em Duque Bacelar e Coelho Neto. Mas ative-me apenas às coisinhas saudáveis da beleza da juventude do meu amigo e compadre Guanabara, vividas em Duque Bacelar.

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Sobre Lázaro Albuquerque
História compilação de fatos históricos apresentados segundo a ordem de sucessão no tempo [Originalmente a crônica limitava-se a relatos verídicos e nobres; a partir do sXIX passou a refletir tb. a vida social, a política, os costumes, o cotidiano etc.]
Duque Bacelar - MA

Duque Bacelar - Maranhão

Sobre o município
Duque Bacelar é um município brasileiro do estado do Maranhão. Localiza-se na microrregião de Coelho Neto, mesorregião do Leste Maranhense. O município tem cerca de 10 mil habitantes e 310 km².


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